DANÇA - CELEBRANDO A VIDA
Em nossa sociedade valoriza-se muito a tristeza. Por exemplo, se você está andando na rua, cabisbaixo, chorando, é bem possível que alguém tente consolá-lo. Agora, se começar a dançar na rua, provavelmente será julgado louco, a sociedade irá prendê-lo.
Em nossa cultura as pessoas alegres acabam incomodando, porém toda criança já nasce com a dimensão da alegria, da celebração. As crianças nascem assim: rodando, dançando, girando no mesmo lugar, que também é um tipo de meditação praticada por mestres sufis.
A criança nasce absolutamente inteira, por isso é bonita. Quando ela tem raiva, é tão inteira nesse sentimento que se torna bonita. Quando está feliz, ela é inteira. Quando fala, é inteira. Quando pergunta “por quê?” “por quê?” “por quê?”, ela é inteira. Por isso é difícil controlar uma criança, ela tem liberdade, que com o tempo nós perdemos.
Quando eu era criança me acordavam às 7 horas da manhã, com o dia frio, dizendo: “Acorde! Vá estudar”. Eu queria continuar dormindo. O cobertor e a cama quentinha... Eu queria dormir, mas me acordavam. À noite eu queria olhar a lua, as estrelas, namorar, paquerar, mas vinha alguém e dizia: “Vá dormir, está na hora”. Sinto que isso já aconteceu com você. Não é culpa dos pais. É a “mãe cultura”.
A criança quer dormir, mandam que acorde; ela quer acordar, pedem para que durma. Nós nascemos com o sabor da liberdade, aí vem à sociedade, a religião, a família, e cortam essa liberdade. Qual criança que ao ver um dia de sol já não perguntou: “Mãe, posso brincar? Pai, posso brincar?”. “Não, vá estudar!”. E a criança ouve uma quantidade de “nãos” absolutamente grandes na vida: “não pode”, “não pode”, “não pode”. Portanto, vamos perdendo esse êxtase, a alegria, a dança, a liberdade.
No dicionário podemos encontrar dez vezes mais palavras que expressem emoções de tristeza, como depressão, medo, chateação, aborrecimento, do que as que expressam alegria, felicidade, bem-estar, contentamento.
Para recuperar essa capacidade de êxtase, um dos caminhos é a dança educativa, criada por Rudolf Laban. É uma dança para você, para o dançarino, diferente do balé, em que se fazem movimentos estudados. No caso de Laban, você dança para você, fecha a porta do seu quarto e dança. É tão simples, mas eficaz.
Podemos perceber que quando jovens e adolescentes “saem” para dançar encontram esse estado de êxtase, pois a dança é uma porta para a felicidade que nos coloca em contato com o sentir, com o coração. Você é feliz no momento da dança. Existe até um texto de um mestre sufi chamado Kabir que diz:
“Dance, meu coração! Dance hoje com alegria.
As formas do amor enchem os dias e as noites de música, e o mundo ouve a melodia Loucas de alegria, a vida e a morte dançando ao ritmo dessa música.
As montanhas, o mar e a terra dançam. O mundo do homem dança em riso e lágrimas”.
A dança de Laban envolve oito movimentos:
O primeiro deles é o de socar, ou arremeter: você soca com as mãos, com a cabeça, com as pernas, os pés, com o corpo todo. Isso nos proporciona uma catarse, em que jogamos para fora muitos lixos que temos no corpo. Nesse exercício, use músicas fortes.
A segunda dinâmica consiste nas lambadas leves, como se o corpo estivesse chicoteando ligeiro, de modo bem flexível, bem solto. Essas lambadas podem ser também com as mãos, com os pés, com o corpo todo. Use músicas rápidas.
O terceiro movimento é o de pressionar, que pode ser também empurrar, de maneira firme, direta, sustentada, imaginando que se está tirando algo de você. Use uma música agitada.
O quarto movimento é o de flutuar. Flutuar como se estivesse voando, bem flexível, solto, leve. Use músicas calmas, tranquilas.
O quinto movimento são os toques ligeiros, também chamados de pontuar, lembrando os movimentos da dança break, em que se pontua com as mãos, com o corpo, em toques bem súbitos. Use músicas alegres.
O sexto movimento consiste em cortar o ar como se fosse uma lança, bem flexível. Use músicas clássicas.
O sétimo movimento é o de retorcer para dentro, de modo contínuo, firme, retorcendo-se cada vez mais. Use músicas suaves.
O oitavo movimento é o deslizar solto, livre, com os braços abertos.
São portanto oito dinâmicas: socar, lambadas leves, pressionar, flutuar, retorcer, toques ligeiros, cortar o ar e deslizar. Use músicas celebrativas.
Todos os movimentos, dentro de sua dança educativa, devem ser para o alto, na horizontal e baixo, para a esquerda e para a direita. Podem ser profundos, curtos, na frente, atrás e no centro. Podem também ser com os pés, a pelve, o rosto, os olhos, ou seja, você pode dividir seu corpo por partes e mexê-las cada uma por vez. Um CD especial que pode ser utilizado em suas práticas é o do filme Tarzan, da Disney.
Essa dinâmica de Laban — a dança para o dançarino — é só para você reeducar o corpo, fazendo-o sentir prazer.
Esse é o corpo que você recebeu nesta viagem pelo planeta Terra. Escolha amá-lo ou odiá-lo, ter ou não ter prazer.
O discípulo disse ao mestre:
— Aprendi a aceitar o nascimento e a morte.
— O que quer de mim? — perguntou o mestre.
— Aprender a aceitar o que está no meio.
Fale um pouco sobre o Teatro eu amo e minha mãe disse que tenho boas chances de ir para a academia :D
ResponderExcluirQUAL O TELEFONE DE CONTATO?!
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